domingo, 12 de dezembro de 2010

Acaso uma caloura que não é ninguém?

Postado por Gabriela de Amorim às 03:49
Por que quando está longe de todas suas amigas ela é uma pessoa inteiramente diferente? Passa a ser o tipo de pessoa que não se importa se sua colega irá estar ou não bem vestida e/ou bem maquiada. Como tento ver sempre o que as pessoas têm de melhor, poderia dizer que talvez isso demonstre a pessoa profundamente sensível que há dentro dela lutando para sair.

Durante o tempo em que estive na faculdade, questionava-me sempre: "Por que, para início de conversa, você não diz realmente o que sente?". E sempre me vinha na cabeça a mesma resposta: "Porque algumas pessoas terminantemente não se importam com nada do que você possa estar pensando, passando ou sofrendo!". E por vezes o que ficava martelando em meus pensamentos era "Eu não estou entendendo nada!". Outro pensamento que por muitas vezes me tirou o sono, foi que talvez meu maior erro tenha sido a hipótese de que talvez tanta indiferença tenha brotado devido a minha preocupação para com os outros, afinal não queria que ninguém se sentisse excluída(o) e eu acabei sendo uma das pessoas que mais sofreu pela exclusão e indiferença.

Perguntas me atormetaram por muito tempo: "Por que ela é tão malvada? Será que ela não nota isso?". As únicas respostas que me ofereciam, caminhavam na direção de que eu precisava deixar de viver obcecada. E a essa altura eu era obrigada a reconhecer que me paralisava o fato de descobrir que alguém vivia a me analisar, durante 4 horas em que convivíamos nos 4 anos de segunda a sexta-feira!

Mas o fato que eu achava mais estranho é que me sentia muito esquisita sobre essa convivência, e isso piorava quando percebia que ela estava tão feliz com tudo isso. Pior ainda era quando ela e suas amigas começavam a rir como umas doidas e me causava enjoo ouviu e ver tudo aquilo. Como poderia haver graça em caçoar dos outros? Rir daquilo que as pessoas são? A única certeza que e tinha era de que não havia nada de engraçado nisso. O que é que eu poderia fazer por uma pessoa assim? Não que eu seja perfeita, nada disso, muito pelo contrário! Mas acima de tudo, tento sempre zelar pelo respeito ao meu próximo!

Diante de tantas inquietações, não me agradava o fato de que a maioria das pessoas que conviviam conosco adotassem uma política tipo não pergunte, não conte nada, não vejo nada e não me importo porque isso não me afeta diretamente. Isso não é assustador? Para mim, chega a soar pior do que filme de terror! Talvez a pior brincadeira de mau gosto dos adultos seja essa que tanto odeio: a de julgar através de comentários sarcásticos!

De qualquer modo, acredito na possibilidade de que ela se encheu de eu me oferecer para fazer coisas que fossem para o bem do grande grupo, como repassar e-mail e materiais extras ao grupo. E pior, essa hipótese me fazia mais maol ainda: "Deus do céu, às vezes sou mesmo burra. Por que faço coisas para pessoas que não me dão a mínima?".

O fato de ter que olhar pra elas das 13:30h às 17:10h e TODOS OS DIAS ÚTEIS, ou seja, menos nos sábados, domingos, feriados e nas férias me assustava, causava até pânico algumas vezes. Mas eu tinha uma esperança: com o final do curso, não teria que olhar para elas TODOS OS DIAS DA SEMANA.

Confesso que durante esses longos 4 anos de convivência forçada, em diversos momentos em que tive de dirigir minha palavra à elas, ou ao contrário, sentia que meu rosto ficava quente, quente. Quero dizer, como se eu estivesse QUEIMANDO. E no fundo, acredito que eleas devem ter compreendido que eu sabia que por vezes elas mentiam!

Texto baseado em sentimentos reais sentidos de 2007-2010 e inspirado para escrita após a leitura de parte da obra "O diário da princesa" de Meg Cabot.

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